A concordância verbal e nominal é um dos conteúdos mais importantes da gramática da língua portuguesa. Ela aparece em questões de interpretação, revisão textual, reescrita de frases e análise de adequação à norma-padrão.

Na redação do Enem, erros de concordância podem prejudicar a clareza do texto e demonstrar pouco domínio da modalidade escrita formal. Por isso, compreender as regras essenciais ajuda tanto na resolução das questões quanto na produção de uma redação mais segura.

A concordância acontece quando determinadas palavras modificam sua forma para combinar com outras palavras da oração.

Na concordância verbal, o verbo deve combinar com o sujeito:

Os estudantes participaram da atividade.

Na concordância nominal, artigos, adjetivos, pronomes e numerais devem combinar com o substantivo:

As atividades estavam organizadas.

Neste artigo, você aprenderá as principais regras de concordância verbal e nominal, conhecerá casos que costumam provocar dúvidas e poderá testar seus conhecimentos com cinco exercícios no estilo Enem. 📚


O que é concordância verbal?

A concordância verbal é a relação estabelecida entre o verbo e o sujeito da oração.

De modo geral, o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito em número e pessoa.

Observe:

O estudante chegou cedo.

O sujeito “o estudante” está no singular. Por isso, o verbo “chegar” também aparece no singular.

Os estudantes chegaram cedo.

O sujeito está no plural, e o verbo acompanha essa mudança.

Essa é a regra geral:

Sujeito no singular → verbo no singular.
Sujeito no plural → verbo no plural.

Entretanto, existem construções que exigem mais atenção.


Como encontrar o núcleo do sujeito?

O núcleo do sujeito é a palavra mais importante dentro do grupo que exerce essa função.

Observe:

A falta de investimentos públicos prejudica a população.

O sujeito é “a falta de investimentos públicos”. Seu núcleo é “falta”, que está no singular. Por isso, o verbo também fica no singular.

Um erro comum seria escrever:

A falta de investimentos públicos prejudicam a população.

O verbo não deve concordar com “investimentos”, pois essa palavra faz parte de uma expressão ligada ao núcleo “falta”.

Outro exemplo:

O crescimento das cidades provoca novos desafios.

O núcleo do sujeito é “crescimento”, e não “cidades”. Por isso, o verbo fica no singular.

Para evitar erros, pergunte:

Quem ou o que pratica a ação expressa pelo verbo?

Depois, identifique a palavra central da resposta.


Sujeito composto

Quando o sujeito apresenta dois ou mais núcleos, o verbo normalmente vai para o plural.

Professores e estudantes participaram da reunião.

A leitura e a escrita contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem.

Quando o sujeito composto aparece depois do verbo, existem duas possibilidades aceitas em determinadas construções:

Chegaram o professor e os estudantes.

Chegou o professor e os estudantes.

Na primeira frase, o verbo concorda com todos os núcleos. Na segunda, concorda com o núcleo mais próximo.

Em textos formais, a concordância no plural costuma ser mais clara quando o sujeito possui mais de um núcleo:

Chegaram o professor e os estudantes.


Sujeitos ligados por “ou”

A concordância com sujeitos ligados pela palavra “ou” depende do sentido.

Quando existe ideia de exclusão, o verbo normalmente fica no singular:

João ou Pedro representará a turma.

Apenas um deles realizará a ação.

Quando os dois elementos podem participar da ação, o verbo pode ir para o plural:

O excesso de açúcar ou de gordura podem causar problemas de saúde.

Nesse caso, tanto o excesso de açúcar quanto o excesso de gordura podem provocar o resultado.

Também é possível reformular a frase para evitar dúvidas:

O excesso de açúcar e o excesso de gordura podem causar problemas de saúde.


Expressões partitivas

Expressões como “a maioria de”, “grande parte de”, “metade de” e “uma parcela de” podem permitir o verbo no singular ou no plural.

A maioria dos estudantes participou da atividade.

A maioria dos estudantes participaram da atividade.

Na primeira frase, o verbo concorda com “maioria”. Na segunda, concorda com “estudantes”.

As duas construções são aceitas, embora o singular seja muito comum quando se deseja destacar o conjunto.

Grande parte da população enfrenta dificuldades.

Grande parte dos moradores enfrentam dificuldades.

Em uma redação, o mais importante é manter a construção clara e evitar mudanças desnecessárias de concordância dentro do mesmo período.


Expressões como “mais de um”

A expressão “mais de um” normalmente exige verbo no singular:

Mais de um estudante faltou à aula.

Mais de um candidato apresentou recurso.

O verbo pode ir para o plural quando a frase indicar reciprocidade:

Mais de um atleta se cumprimentaram após a competição.

Nesse caso, a ação ocorre entre os participantes.


Pronomes relativos “que” e “quem”

Quando o sujeito é o pronome relativo “que”, o verbo concorda com o termo anterior.

Fui eu que organizei o evento.

Fomos nós que organizamos o evento.

Foram os estudantes que produziram o cartaz.

Com o pronome “quem”, o verbo costuma ficar na terceira pessoa do singular:

Fui eu quem organizou o evento.

Também pode ocorrer concordância com o termo anterior:

Fui eu quem organizei o evento.

Em situações formais, a construção com o verbo na terceira pessoa do singular é bastante frequente.


Verbos impessoais

Os verbos impessoais não possuem sujeito e devem permanecer na terceira pessoa do singular.

Um dos casos mais importantes é o verbo haver com sentido de existir.

Havia muitos estudantes na biblioteca.

Houve problemas durante a reunião.

Haverá novas oportunidades.

Não devemos escrever:

Haviam muitos estudantes na biblioteca.

Quando o verbo “haver” significa existir, ele não vai para o plural.

Observe a diferença:

Existiam muitos estudantes na biblioteca.

O verbo “existir” possui sujeito e concorda normalmente com ele. Por isso, aparece no plural.


Verbo “fazer” indicando tempo

O verbo “fazer”, quando indica tempo decorrido ou condição climática, também é impessoal.

Faz dois anos que comecei o curso.

Fazia muitos meses que não chovia.

Fez dias muito quentes naquela semana.

Não se deve escrever:

Fazem dois anos que comecei o curso.

Quando há uma locução verbal, o auxiliar também permanece no singular:

Deve fazer dois anos que ele saiu.

Vai fazer três meses desde a mudança.


Concordância com o verbo “ser”

O verbo “ser” apresenta algumas particularidades.

Nas indicações de horas, datas e distâncias, ele concorda com a expressão numérica.

É uma hora.

São duas horas.

Hoje é dia cinco de agosto.

Hoje são cinco de agosto.

As duas formas relacionadas à data podem ser encontradas, dependendo da construção subentendida.

Com expressões como “é muito”, “é pouco”, “é suficiente” e “é necessário”, o verbo costuma permanecer no singular quando se refere a uma quantidade considerada de forma geral.

Dois quilômetros é pouco para uma caminhada.

Dez minutos é suficiente para a apresentação.


O que é concordância nominal?

A concordância nominal acontece quando artigos, adjetivos, pronomes e numerais combinam em gênero e número com o substantivo.

Observe:

A estudante estava preparada.

Os estudantes estavam preparados.

As atividades foram concluídas.

O adjetivo precisa acompanhar o substantivo ao qual se refere.

Na frase “as atividades foram concluídas”, tanto o artigo “as” quanto o adjetivo “concluídas” estão no feminino plural, concordando com “atividades”.


Adjetivo referente a mais de um substantivo

Quando um adjetivo se refere a dois ou mais substantivos, a concordância depende da posição e do gênero desses substantivos.

Observe:

O aluno e a aluna estavam preparados.

Quando há substantivos de gêneros diferentes, o adjetivo tradicionalmente vai para o masculino plural.

A professora e a estudante estavam preparadas.

Como os dois substantivos são femininos, o adjetivo fica no feminino plural.

Quando o adjetivo aparece antes dos substantivos, pode concordar com o mais próximo:

Excelente organização e planejamento.

Excelente planejamento e organização.

Em muitos casos, uma reformulação torna a frase mais natural:

A organização e o planejamento estavam excelentes.


Um substantivo e dois adjetivos

Quando dois adjetivos caracterizam um único substantivo, existem diferentes formas de construção.

Estudamos a literatura brasileira e a portuguesa.

Nessa estrutura, o artigo é repetido antes do segundo adjetivo.

Também é possível usar o substantivo no plural:

Estudamos as literaturas brasileira e portuguesa.

Outro exemplo:

Foram analisados os contextos social e econômico.

O substantivo aparece no plural porque se refere a dois contextos diferentes.


“Anexo”, “incluso” e “obrigado”

As palavras “anexo” e “incluso” são adjetivos e devem concordar com o substantivo.

Segue anexo o documento.

Seguem anexos os documentos.

Segue anexa a declaração.

Seguem inclusas as atividades.

Já a expressão “em anexo” permanece invariável:

Seguem em anexo os documentos.

A palavra “obrigado”, usada como agradecimento, concorda com quem fala.

Um homem diz:

Muito obrigado.

Uma mulher diz:

Muito obrigada.

Quando várias pessoas agradecem, a palavra pode ir para o plural:

Muito obrigados.

Muito obrigadas.


“Mesmo”, “próprio” e “quite”

As palavras “mesmo” e “próprio”, quando reforçam um substantivo ou pronome, variam.

Ela mesma preparou o relatório.

Eles mesmos organizaram a reunião.

As estudantes próprias apresentaram o projeto.

A palavra “quite” também varia:

O estudante está quite com a biblioteca.

Os estudantes estão quites com a biblioteca.


“Meio” e “bastante”

A palavra “meio” pode ser numeral ou advérbio.

Quando significa metade, varia:

Bebi meia garrafa de água.

Comprei meio quilo de frutas.

Quando significa “um pouco”, é advérbio e não varia:

Ela estava meio cansada.

As estudantes estavam meio preocupadas.

A palavra “bastante” também pode variar ou permanecer invariável.

Quando significa “muito” e modifica um adjetivo ou verbo, não varia:

As questões estavam bastante difíceis.

Os estudantes estudaram bastante.

Quando acompanha um substantivo e significa “muitos” ou “muitas”, varia:

Havia bastantes exercícios no material.

Foram apresentadas bastantes propostas.


“É necessário”, “é proibido” e “é permitido”

Expressões como “é necessário”, “é proibido” e “é permitido” podem permanecer no masculino singular quando o substantivo aparece de forma genérica, sem artigo.

É necessário paciência.

É proibido entrada.

É permitido circulação de estudantes.

Quando o substantivo vem acompanhado de artigo ou outro determinante, a expressão concorda com ele.

É necessária a paciência.

É proibida a entrada.

É permitida a circulação de estudantes.

Outro exemplo:

Água é bom para a saúde.

A água é boa para a saúde.

Na primeira frase, “água” aparece de forma genérica. Na segunda, o artigo determina o substantivo, e o adjetivo concorda com ele.


“Menos” e “alerta”

A palavra “menos” é invariável.

Correto:

Havia menos pessoas na sala.

Foram cometidos menos erros.

Incorreto:

Havia “menas” pessoas na sala.

A palavra “alerta”, quando significa atento ou vigilante, costuma ser usada de forma invariável em construções como:

Os estudantes permaneceram alerta.

As equipes estavam alerta.

Em outras construções, “alerta” pode ser substantivo:

Os alertas foram enviados.


Concordância e sentido do texto

A concordância não é apenas uma questão de decorar regras. Ela também interfere na clareza e no sentido.

Compare:

A maioria dos estudantes realizou a atividade.

A frase destaca o grupo como uma unidade.

A maioria dos estudantes realizaram a atividade.

A frase destaca os indivíduos que fazem parte do grupo.

Nos dois casos, o leitor compreende a mensagem, mas a escolha produz uma pequena diferença de foco.

Em outras situações, o erro pode provocar dúvida:

A falta de professores prejudicam os estudantes.

A forma verbal no plural pode fazer o leitor pensar que o sujeito é “professores”, quando o verdadeiro núcleo é “falta”.

A forma correta é:

A falta de professores prejudica os estudantes.


Erros comuns na redação do Enem

Um dos erros mais frequentes é fazer o verbo concordar com a palavra mais próxima, e não com o núcleo do sujeito.

Inadequado:

O aumento dos casos de violência demonstram a necessidade de medidas preventivas.

Adequado:

O aumento dos casos de violência demonstra a necessidade de medidas preventivas.

Outro erro é colocar o verbo “haver” no plural quando ele significa existir.

Inadequado:

Haviam muitos problemas na comunidade.

Adequado:

Havia muitos problemas na comunidade.

Na concordância nominal, é comum encontrar construções como:

As pessoas estavam meias preocupadas.

O correto é:

As pessoas estavam meio preocupadas.

Nesse caso, “meio” significa “um pouco” e funciona como advérbio invariável.


Como revisar a concordância na redação

Durante a revisão, procure os verbos de cada período e identifique seus sujeitos.

Faça perguntas simples:

Quem pratica a ação?
Qual é o núcleo do sujeito?
O sujeito está no singular ou no plural?

Na concordância nominal, observe os substantivos e as palavras que os acompanham.

Verifique se artigos, pronomes e adjetivos estão de acordo com o gênero e o número.

Leia a frase completa, pois a concordância depende da relação entre as palavras, e não apenas da palavra mais próxima.

Também é recomendável evitar períodos excessivamente longos. Quanto maior a distância entre sujeito e verbo, maior a chance de erro.


Exercícios estilo Enem

Questão 1

Leia o período:

A falta de políticas públicas eficientes prejudicam o acesso da população aos serviços básicos.

De acordo com a norma-padrão, a frase deve ser corrigida para:

A) A falta de políticas públicas eficientes prejudicaram o acesso.
B) A falta de políticas públicas eficientes prejudica o acesso.
C) A falta de políticas públicas eficientes prejudicam os acessos.
D) A falta de políticas públicas eficiente prejudicam o acesso.
E) A falta das políticas públicas eficiente prejudica os acessos.

Gabarito: B

Comentário: O núcleo do sujeito é “falta”, que está no singular. A expressão “de políticas públicas eficientes” apenas complementa esse núcleo. Por isso, o verbo deve ficar no singular: “prejudica”.


Questão 2

Assinale a alternativa que respeita a concordância verbal da norma-padrão:

A) Haviam muitas pessoas aguardando atendimento.
B) Fazem dois anos que o projeto começou.
C) Existe diferentes formas de participação social.
D) Deve haver novas oportunidades de inscrição.
E) Ocorrerá mudanças importantes no calendário.

Gabarito: D

Comentário: O verbo “haver”, com sentido de existir, é impessoal e permanece no singular, inclusive em locuções verbais: “deve haver”. Nas demais alternativas, o correto seria “havia”, “faz”, “existem” e “ocorrerão”.


Questão 3

Leia:

As estudantes permaneceram meio preocupadas com o resultado.

A palavra “meio” permanece no singular porque:

A) concorda com o substantivo “resultado”.
B) funciona como numeral e significa metade.
C) funciona como advérbio e significa um pouco.
D) é um adjetivo invariável em todas as situações.
E) concorda apenas com substantivos masculinos.

Gabarito: C

Comentário: Na frase, “meio” modifica o adjetivo “preocupadas” e possui sentido de “um pouco”. Por funcionar como advérbio, permanece invariável.


Questão 4

Assinale a alternativa correta quanto à concordância nominal:

A) Segue anexas as atividades solicitadas.
B) Seguem anexo os documentos solicitados.
C) Seguem anexos os documentos solicitados.
D) Segue anexo as declarações solicitadas.
E) Seguem anexa os relatórios solicitados.

Gabarito: C

Comentário: “Anexos” é um adjetivo e deve concordar com “documentos”, que está no masculino plural. O verbo “seguem” também concorda com o sujeito “os documentos”.


Questão 5

Leia o trecho:

Embora hajam diferentes propostas para enfrentar o problema, nenhuma delas foi aplicada de maneira eficiente.

A forma verbal destacada deve ser substituída por:

A) exista.
B) houveram.
C) haviam.
D) haja.
E) existisse.

Gabarito: D

Comentário: O verbo “haver”, empregado com sentido de existir, é impessoal. Por isso, deve permanecer no singular: “embora haja diferentes propostas”.


Conclusão

A concordância verbal estabelece a relação entre o verbo e o sujeito. Em sua regra geral, o verbo deve acompanhar o núcleo do sujeito em número e pessoa.

A concordância nominal, por sua vez, garante que artigos, pronomes, numerais e adjetivos combinem com o substantivo em gênero e número.

Entre os casos que merecem mais atenção estão o uso dos verbos “haver” e “fazer”, as expressões partitivas, os sujeitos compostos e palavras como “meio”, “bastante”, “anexo” e “obrigado”.

Na prova do Enem, o conteúdo pode aparecer em questões de reescrita, interpretação e adequação à norma-padrão. Na redação, o domínio da concordância contribui para a clareza, a formalidade e a precisão da linguagem.

Mais importante do que memorizar uma grande quantidade de exceções é aprender a identificar as relações entre as palavras.

Ao revisar uma frase, encontre o núcleo do sujeito, observe o verbo e verifique se os termos ligados ao substantivo estão concordando adequadamente. Essa prática simples evita muitos erros e fortalece a qualidade do texto.


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