Os pronomes são palavras fundamentais para a organização dos textos. Eles podem substituir nomes, indicar pessoas do discurso, retomar informações anteriores, estabelecer relações de posse e contribuir para a coesão.

Quando dizemos:

Mariana comprou um livro. Ela começou a lê-lo no mesmo dia.

O pronome ela evita a repetição do nome “Mariana”.

Já em:

O professor entregou meu trabalho.

O pronome “meu” indica posse.

Além de conhecer os diferentes tipos de pronomes, o estudante precisa compreender a colocação pronominal, isto é, a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo.

Compare:

Não me diga isso.

Diga-me a verdade.

Dir-lhe-ei o resultado.

Essas três construções exemplificam, respectivamente:

  • próclise;
  • ênclise;
  • mesóclise.

No Enem, o tema costuma aparecer em questões de interpretação, coesão, reescrita, variação linguística e adequação à norma-padrão.

Neste artigo, você aprenderá os principais tipos de pronomes, compreenderá as regras de colocação pronominal e poderá praticar com cinco exercícios no estilo Enem. ✍️


O que são pronomes?

Os pronomes são palavras que podem substituir ou acompanhar substantivos.

Eles ajudam a evitar repetições e permitem estabelecer relações entre diferentes partes do texto.

Observe:

Ana comprou uma mochila. A mochila de Ana era azul.

A repetição deixa o texto pouco fluido.

Podemos escrever:

Ana comprou uma mochila. Ela era azul.

Ou:

Ana comprou sua mochila azul.

Os pronomes também podem indicar quem participa da comunicação.

Na frase:

Eu preciso falar com você.

“Eu” representa quem fala.

“Você” representa com quem se fala.


Pronomes pessoais

Os pronomes pessoais representam as pessoas do discurso.

Podem ser divididos em:

  • pronomes pessoais do caso reto;
  • pronomes pessoais do caso oblíquo.

Pronomes pessoais do caso reto

São:

  • eu;
  • tu;
  • ele/ela;
  • nós;
  • vós;
  • eles/elas.

Normalmente exercem função de sujeito.

Exemplos:

Eu estudarei hoje.

Ela participou da reunião.

Nós faremos a atividade.

No português brasileiro atual, “você” e “vocês” são muito utilizados para representar o interlocutor, embora exijam verbos na terceira pessoa.

Você estuda muito.

Não:

Você estudas.


Pronomes oblíquos

Os pronomes oblíquos normalmente exercem função de complemento.

Entre os pronomes oblíquos átonos estão:

  • me;
  • te;
  • se;
  • o;
  • a;
  • lhe;
  • nos;
  • vos;
  • os;
  • as;
  • lhes.

Exemplos:

O professor me chamou.

Ana lhe entregou o documento.

Eu o encontrei ontem.

Ela se preparou para a prova.

É justamente com esses pronomes que surgem as regras de colocação pronominal.


O, a, os, as

Os pronomes o, a, os, as geralmente substituem objetos diretos.

Exemplo:

Comprei o livro.

Podemos escrever:

Comprei-o.

Outro exemplo:

Vi as estudantes.

Vi-as.

Eles substituem termos que não exigem preposição.


Lhe e lhes

Os pronomes lhe e lhes geralmente substituem objetos indiretos introduzidos por preposição “a”.

Exemplo:

Entreguei o livro ao professor.

Entreguei-lhe o livro.

Outro:

Expliquei a situação aos alunos.

Expliquei-lhes a situação.

Um erro comum é usar “lhe” como objeto direto.

Na norma-padrão:

❌ Vi-lhe ontem.

Se o sentido é “vi ele”:

✅ Vi-o ontem.


Pronomes possessivos

Os pronomes possessivos indicam relação de posse.

Exemplos:

  • meu/minha;
  • teu/tua;
  • seu/sua;
  • nosso/nossa;
  • vosso/vossa.

Exemplo:

Este é meu caderno.

Nossa escola realizará uma feira.

A palavra “seu” pode provocar ambiguidade.

Observe:

Maria falou com Ana sobre seu projeto.

De quem é o projeto?

De Maria ou de Ana?

Para evitar confusão, o texto pode escrever:

Maria falou com Ana sobre o projeto de Ana.

A clareza é muito importante.


Pronomes demonstrativos

Os pronomes demonstrativos ajudam a localizar elementos no espaço, no tempo ou no próprio texto.

Entre eles:

  • este, esta, isto;
  • esse, essa, isso;
  • aquele, aquela, aquilo.

Tradicionalmente:

este → próximo de quem fala;

esse → próximo de quem ouve;

aquele → distante de ambos.

Exemplo:

Este livro aqui é meu.

Esse caderno que está com você é novo?

Aquela escola do outro lado da praça foi reformada.

Na prática, o português brasileiro apresenta grande variação nesse uso.


Demonstrativos na organização do texto

Os demonstrativos também podem retomar ideias.

Exemplo:

O desemprego aumentou e a inflação permaneceu elevada. Esses problemas afetaram a população.

“Esses problemas” retoma informações anteriores.

Esse uso é importante para a coesão textual.


Pronomes relativos

Os pronomes relativos retomam um termo anterior e ligam orações.

Entre os mais comuns:

  • que;
  • quem;
  • cujo;
  • onde;
  • o qual;
  • a qual.

Exemplo:

O livro que comprei é interessante.

“Que” retoma “livro”.

Outro exemplo:

A escola onde estudo fica perto daqui.

“Onde” retoma um lugar.


Uso de “cujo”

O pronome cujo indica relação de posse.

Exemplo:

Conheci uma escritora cujo livro ganhou o prêmio.

Significa:

o livro da escritora.

Depois de “cujo”, não se utiliza artigo.

Correto:

A aluna cuja redação foi premiada.

Evite:

❌ cuja a redação.


Pronomes indefinidos

Os pronomes indefinidos referem-se a pessoas ou coisas de maneira vaga.

Exemplos:

  • alguém;
  • ninguém;
  • tudo;
  • nada;
  • alguns;
  • muitos;
  • poucos;
  • qualquer.

Exemplo:

Alguém deixou um caderno na sala.

Ninguém respondeu.

Essas palavras também podem influenciar a colocação pronominal.


Pronomes interrogativos

Aparecem em perguntas diretas ou indiretas.

Exemplos:

  • quem;
  • que;
  • qual;
  • quanto.

Quem chegou?

Não sei quem chegou.

Qual você prefere?


O que é colocação pronominal?

A colocação pronominal estuda a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo.

Existem três possibilidades principais:

  • próclise;
  • ênclise;
  • mesóclise.

Próclise

A próclise ocorre quando o pronome aparece antes do verbo.

Exemplo:

Não me diga isso.

O pronome “me” está antes do verbo “diga”.

A próclise ocorre especialmente quando existe uma palavra que atrai o pronome.


Palavras negativas

Palavras negativas costumam exigir próclise.

Exemplos:

Não me interrompa.

Nunca se esqueça disso.

Ninguém lhe explicou a situação.

Jamais me disseram isso.

A palavra negativa atrai o pronome para antes do verbo.


Pronomes relativos

Pronomes relativos também favorecem próclise.

Exemplo:

O livro que me recomendaram é excelente.

A estudante que se destacou recebeu o prêmio.

O “que” funciona como elemento atrativo.


Pronomes indefinidos

Exemplos:

Alguém me chamou.

Tudo se resolveu rapidamente.

Poucos se interessaram pelo projeto.


Palavras interrogativas

Exemplos:

Quem te contou isso?

Quando me entregarão o resultado?

Por que se afastou?


Advérbios

Quando não há pausa significativa, certos advérbios podem atrair o pronome.

Exemplo:

Aqui se trabalha muito.

Hoje me sinto melhor.

Sempre nos ajudam.

Mas, quando há pausa marcada, a construção pode variar.


Conjunções subordinativas

Conjunções que iniciam orações subordinadas também favorecem próclise.

Exemplo:

Espero que me compreenda.

Quando se aproximou, todos ficaram em silêncio.

Embora seja um verbo diferente, note que construções subordinadas frequentemente favorecem a posição anterior do pronome quando ele está presente.

Outro exemplo:

Quando me chamarem, entrarei.


Ênclise

A ênclise ocorre quando o pronome aparece depois do verbo.

Exemplo:

Diga-me a verdade.

O pronome é ligado ao verbo por hífen.


Quando a ênclise é comum?

Na norma-padrão, ela aparece especialmente quando o verbo inicia a oração e não existe palavra atrativa.

Exemplo:

Entregaram-me os documentos.

Disseram-lhe a verdade.

Convide-os para a reunião.


Início de oração

Na tradição gramatical normativa, evita-se iniciar uma oração com pronome oblíquo átono.

Assim:

Em registro formal:

Disseram-me a verdade.

Em vez de:

Me disseram a verdade.

No português brasileiro falado, porém, construções como:

“Me disseram que a aula foi cancelada.”

são extremamente comuns.

Essa diferença é importante para questões sobre variação linguística.

O Enem pode exigir que o estudante perceba que uma construção frequente na fala não é necessariamente um “erro de comunicação”, mas pode ser inadequada em um contexto formal específico.


Ênclise com imperativo afirmativo

Exemplo:

Ajude-me com esta atividade.

Entregue-lhe o documento.

Avisem-nos quando chegarem.

No imperativo negativo, porém, há palavra negativa:

Não me ajude agora.

Logo, ocorre próclise.


Mesóclise

A mesóclise ocorre quando o pronome aparece no meio do verbo.

Exemplo:

Dir-lhe-ei a verdade.

Ela pode ocorrer com:

  • futuro do presente;
  • futuro do pretérito.

Exemplos:

Entregar-lhe-ei o documento.

Convidar-te-ia para o evento.

A mesóclise é pouco utilizada na fala cotidiana e tende a aparecer em registros muito formais.


Quando a mesóclise não ocorre?

Se houver uma palavra atrativa, utiliza-se próclise.

Compare:

Dir-lhe-ei a verdade.

Mas:

Não lhe direi a verdade.

A palavra “não” atrai o pronome.

Outro exemplo:

Contar-te-ia tudo.

Mas:

Talvez te contasse tudo.


Colocação pronominal com locuções verbais

As locuções verbais possuem dois ou mais verbos.

Exemplo:

Vou entregar o trabalho.

Com pronome:

Vou lhe entregar o trabalho.

ou, em certos registros:

Vou entregar-lhe o trabalho.

A posição pode variar de acordo com a estrutura e o grau de formalidade.

Com palavra atrativa:

Não lhe vou entregar o documento.

Também é comum no português brasileiro:

Não vou lhe entregar o documento.

Em questões do Enem, é importante considerar o contexto e a variedade linguística utilizada.


Colocação pronominal e português brasileiro

A língua real nem sempre segue rigidamente as regras tradicionais.

Na fala cotidiana brasileira, é muito comum:

Me empresta um lápis?

Te falei ontem.

Me disseram que vai chover.

Essas construções fazem parte do uso espontâneo da língua.

Em um texto formal, no entanto, a norma-padrão pode preferir:

Empreste-me um lápis.

Falei-te ontem.

Disseram-me que vai chover.

O Enem valoriza a capacidade de compreender adequação linguística.

Isso significa perceber que a escolha de uma estrutura depende do contexto.

Uma conversa entre amigos possui regras de uso diferentes de um documento oficial ou redação formal.


Pronomes e coesão textual

Os pronomes não servem apenas para substituir palavras.

Eles ajudam a construir relações entre partes do texto.

Observe:

A escola criou um projeto de leitura. Ele será desenvolvido durante todo o ano.

O pronome “ele” retoma “projeto”.

Outro exemplo:

Os estudantes participaram da campanha. Essa iniciativa aumentou o envolvimento da comunidade.

O demonstrativo “essa” ajuda a retomar a ação anterior.

Sem esses mecanismos, o texto teria muitas repetições.


Ambiguidade pronominal

Os pronomes também podem causar problemas quando não sabemos qual termo está sendo retomado.

Exemplo:

João encontrou Pedro quando ele saía da escola.

Quem saía?

João ou Pedro?

A frase é ambígua.

Uma versão mais clara seria:

João encontrou Pedro quando Pedro saía da escola.

Ou:

Quando João saía da escola, encontrou Pedro.

Na redação do Enem, clareza é fundamental.


Erros comuns com pronomes

“Para mim fazer”

Na norma-padrão:

❌ Isso é para mim fazer.

O pronome exerce função de sujeito do verbo “fazer”.

Por isso:

✅ Isso é para eu fazer.

Mas:

✅ Trouxeram o material para mim.

Nesse caso, “mim” não é sujeito de verbo.

Uma dica conhecida:

“Mim” não pratica ação verbal.


“Entre eu e você”

Incorreto na norma-padrão.

Depois de preposição, utilizamos pronome oblíquo tônico:

✅ Entre mim e você.

✅ Isso ficará entre mim e ela.


“Vi ele”

Na fala brasileira, essa construção é comum.

Na norma-padrão formal:

Vi-o.

Ou:

✅ Eu o vi.

O pronome “o” exerce função de objeto direto.


“Entreguei ele o livro”

A construção adequada depende da função.

Se a ideia é:

Entreguei o livro ao professor.

Podemos escrever:

Entreguei-lhe o livro.

“Lhe” substitui o objeto indireto.


Como reconhecer próclise, ênclise e mesóclise?

Use uma regra visual simples:

Pronome antes do verbo

me disseram

→ próclise.

Pronome depois do verbo

disseram-me

→ ênclise.

Pronome dentro do verbo

dir-me-ão

→ mesóclise.


Estratégias para o Enem

Ao analisar uma questão:

  1. identifique o pronome;
  2. veja qual termo ele substitui ou retoma;
  3. observe sua função na frase;
  4. procure palavras atrativas;
  5. considere o contexto formal ou informal;
  6. avalie se a mudança de posição altera o nível de formalidade ou a adequação.

Nem sempre a prova pedirá o nome “próclise”.

Às vezes, a questão apresentará uma tirinha, anúncio ou trecho literário e perguntará sobre o efeito de uma construção pronominal.


Exercícios estilo Enem

Questão 1

Leia:

“Não me avisaram sobre a mudança de horário.”

A colocação do pronome “me” antes do verbo ocorre porque:

A) o verbo está no infinitivo.
B) existe uma palavra negativa que favorece a próclise.
C) o pronome está exercendo função de sujeito.
D) a frase está obrigatoriamente no futuro.
E) o verbo exige mesóclise.

Gabarito: B

Comentário: A palavra “não” possui valor negativo e atrai o pronome para antes do verbo. Por isso, ocorre próclise: “não me avisaram”.


Questão 2

Assinale a alternativa adequada à norma-padrão formal:

A) Me entregaram os documentos ontem.
B) Entregaram-me os documentos ontem.
C) Entregaram mim os documentos ontem.
D) Entregaram-se eu os documentos ontem.
E) Me os entregaram ontem.

Gabarito: B

Comentário: Na tradição normativa, quando o verbo inicia a oração e não há palavra atrativa, utiliza-se a ênclise: “Entregaram-me”.


Questão 3

Leia:

“O projeto que me apresentaram será desenvolvido no próximo semestre.”

O uso da próclise em “que me apresentaram” é favorecido:

A) pelo pronome relativo “que”.
B) pelo substantivo “projeto”.
C) pelo tempo futuro.
D) pela ausência de sujeito.
E) pelo artigo definido.

Gabarito: A

Comentário: O pronome relativo “que” funciona como palavra atrativa e favorece a colocação do pronome antes do verbo.


Questão 4

Na frase:

“Isso é para eu revisar antes da prova.”

O uso de “eu” está correto porque o pronome:

A) é complemento da preposição “para”.
B) funciona como sujeito do verbo “revisar”.
C) substitui um objeto indireto.
D) deveria obrigatoriamente ser “mim”.
E) é um pronome possessivo.

Gabarito: B

Comentário: O pronome “eu” exerce função de sujeito da forma verbal “revisar”. Por isso, a construção correta é “para eu revisar”.


Questão 5

Leia:

“Dir-lhe-ei o resultado amanhã.”

A posição do pronome “lhe” caracteriza:

A) próclise.
B) ênclise.
C) mesóclise.
D) anáfora.
E) elipse.

Gabarito: C

Comentário: O pronome aparece no interior da forma verbal “direi”, formando “dir-lhe-ei”. Essa estrutura é chamada de mesóclise e ocorre em registros formais com determinados tempos futuros.


Conclusão

Os pronomes desempenham funções essenciais na língua portuguesa.

Eles podem indicar pessoas do discurso, posse, localização, indefinição e relações entre diferentes partes do texto.

Também são fundamentais para a coesão, pois evitam repetições e ajudam a retomar informações.

Entre os principais grupos estão:

  • pessoais;
  • possessivos;
  • demonstrativos;
  • relativos;
  • indefinidos;
  • interrogativos.

Na colocação pronominal, é importante lembrar:

próclise → pronome antes do verbo

ênclise → pronome depois do verbo

mesóclise → pronome no meio do verbo

Palavras negativas, pronomes relativos, indefinidos, interrogativos e algumas conjunções favorecem a próclise.

A ênclise aparece especialmente em contextos formais quando o verbo inicia a oração e não existe palavra atrativa.

A mesóclise é mais rara e está ligada a determinados tempos futuros em registros formais.

Para o Enem, não basta decorar regras.

É essencial compreender a relação entre:

gramática + sentido + contexto + variação linguística.

Uma forma usada em uma conversa cotidiana pode ser perfeitamente compreensível e adequada à fala, mas diferente da estrutura esperada em um texto formal.

Essa percepção é uma das chaves para interpretar questões de língua portuguesa com mais segurança.


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