Concordância verbal sem trauma: 10 casos que os vestibulares adoram

Quando o assunto é concordância verbal, muita gente entra em pânico. A sensação é de que existem mil regras, mil exceções e nenhum caminho claro. Mas, na prática, as questões de vestibulares giram em torno de alguns casos bem específicos, que aparecem repetidamente em provas de Português.

A ideia deste post é justamente essa: organizar 10 situações de concordância verbal que você precisa dominar, com exemplos claros, comentários e atalhos de memorização. Depois, você ainda encontra exercícios estilo vestibular com gabarito comentado para fixar tudo.


1. Sujeito simples: o “feijão com arroz” da concordância

Aqui é o básico: o verbo concorda em número (singular/plural) e pessoa com o sujeito.

  • O aluno estudou bastante.
  • Os alunos estudaram bastante.

Erros comuns:

  • Confundir sujeito com palavras que estão mais próximas do verbo.
    • “A explicação das questões estavam confusas.”
    • Sujeito: explicação (singular). O termo “das questões” é apenas complemento.
    • Certo: “A explicação das questões estava confusa.”

Dica: pergunte “quem é que…?” para achar o sujeito. É com essa palavra que o verbo deve concordar.


2. Sujeito composto com “e”: em geral, verbo no plural

Se o sujeito tem dois ou mais núcleos ligados por e, o verbo vai para o plural:

  • O professor e os alunos chegaram cedo.

Mas cuidado com dois detalhes:

  1. Quando os núcleos formam uma ideia única, o verbo pode ficar no singular:
    • A paz e a tranquilidade reinava na sala. (ideia única de ambiente)
  2. Quando os núcleos são sinônimos ou quase repetição:
    • A alegria e a felicidade daquela turma era contagiante.

Em vestibulares, o mais comum é a situação “normal”: dois núcleos diferentes → verbo no plural. Fique atento quando o verbo estiver antes do sujeito composto, pois isso aumenta a chance de erro.

  • Chegaram o professor e os alunos.
  • Chegou o professor e os alunos. ❌ (a não ser em contextos muito específicos de atração pelo núcleo mais próximo, que as provas geralmente evitam aceitar como correta).

3. Sujeito composto com “ou” e “nem”: atenção ao sentido

  • Com ou (ou… ou…), observe se a ideia é de exclusão ou adição:
    • Exclusão (apenas um dos dois): verbo no singular
      • Ou João ou Pedro vai apresentar o trabalho. (apenas um)
    • Inclusão (tanto um quanto outro): verbo pode ir ao plural
      • Ou as mães ou os pais assumem essa responsabilidade. (sentido de “uns e outros”)
  • Com nem, a ideia é de adição negativa, então o verbo vai para o plural:
    • Nem o diretor nem os professores sabiam da mudança.

Vestibulares adoram tirar seu ponto com frases em que o verbo concorda com o núcleo mais próximo e você aceita sem perceber.


4. Sujeito oracional: verbo quase sempre no singular

Quando o sujeito é uma oração inteira, o verbo geralmente fica no singular:

  • Chegar cedo à prova é fundamental. (sujeito = “Chegar cedo à prova”)
  • Que os alunos estudem mais é importante. (sujeito = oração “Que os alunos estudem mais”)

Nesses casos, não se deixe confundir pelo plural dentro da oração. O que manda é o sujeito ser uma ideia inteira, tratada como bloco.


5. Coletivos, porcentagem e expressões como “a maioria de”

Palavras como maioria, parte, grupo, porcentagem causam muita dúvida.

5.1. Palavras coletivas

  • Se o coletivo vem sem especificação, verbo costuma ficar no singular:
    • A maioria decidiu pelo adiamento.
  • Se vem seguido de complemento no plural (“dos alunos”), há duas possibilidades, dependendo do foco:
    • Foco no coletivo → singular:
      • A maioria dos alunos decidiu pelo adiamento.
    • Foco nos indivíduos → plural:
      • A maioria dos alunos decidiram pelo adiamento.

Em provas, muitas bancas aceitam as duas formas; o importante é manter coerência interna.

5.2. Porcentagem

  • Com número + porcentagem + de + substantivo, o verbo costuma concordar com o substantivo:
    • Cinquenta por cento dos candidatos foram eliminados.
    • Trinta por cento da turma estava presente.

6. Verbos impessoais: “haver” e “fazer” indicando tempo ou existência

Dois clássicos de prova:

6.1. Verbo “haver” com sentido de existir ou de tempo decorrido

  • Com sentido de existir, “haver” é impessoal → verbo no singular:
    • Havia muitos alunos na sala.
    • (Não: “haviam muitos alunos”.)
  • Com sentido de tempo decorrido:
    • Havia três anos que ele estudava para o vestibular.

Dica: se você pode trocar por “existir”, o certo é “haver” no singular:

  • “Existiam muitos alunos na sala” → então o correto com “haver” é:
    • Havia muitos alunos na sala.

6.2. Verbo “fazer” indicando tempo ou fenômeno climático

Também fica no singular:

  • Faz cinco anos que estudo aqui.
  • Fazia muito frio naquela manhã.
  • Fez 30 graus ontem.

Vestibulares amam pedir para você corrigir frases como “Fazem dois anos que…” (errada).


7. Concordância com “ser”: datas, horas e predicativos

O verbo ser tem suas manhas.

7.1. Ser com datas e horas

Em geral, concorda com o número:

  • É uma hora.
  • São duas horas.
  • Hoje é dia 7.
  • Amanhã serão 10 de julho.

Quando a expressão indica tempo decorrido, podem aparecer casos mais flexíveis, mas as provas costumam cobrar o padrão simples das horas e datas.

7.2. Ser com pronome de tratamento ou sujeito real

  • Com pronome de tratamento (Vossa Excelência, Vossa Senhoria etc.), o verbo vai para a terceira pessoa:
    • Vossa Excelência está enganada.
  • Com construções do tipo “sou eu / somos nós”, “ser” concorda com o pronome:
    • Sou eu o responsável.
    • Somos nós os próximos a apresentar.

8. “Se” apassivador x “se” índice de indeterminação do sujeito

Outra mina terrestre das provas.

8.1. Partícula apassivadora

Quando “se” indica voz passiva (vende-se casas = “casas são vendidas”), o verbo concorda com o sujeito paciente:

  • Vendem-se casas. (casas são vendidas)
  • Alugam-se salas comerciais.

O verbo vai para o plural se o substantivo estiver no plural.

8.2. Índice de indeterminação do sujeito

Quando o verbo é intransitivo ou transitivo indireto, o “se” é índice de indeterminação, e o verbo fica no singular:

  • Precisa-se de funcionários. (sujeito indeterminado)
  • Vive-se bem naquela cidade.

Vestibulares gostam de comparar frases do tipo: “Vende-se casas / Vendem-se casas” e perguntar qual está de acordo com a norma culta.


9. Pronome relativo “que”: verbo concorda com o antecedente

Quando aparece uma oração relativa com que, o verbo dessa oração deve concordar com o termo anterior ao qual o “que” se refere:

  • Fui eu que fiz o trabalho.
  • Fomos nós que fizemos o trabalho.

O erro comum é deixar o verbo no singular mesmo com antecedente plural:

  • “Fomos nós que fez o trabalho.”

Outro exemplo:

  • Os alunos que estudam mais têm melhor desempenho.
    • (“que” se refere a “alunos”)

10. Expressões como “um dos que…”

Aqui está um dos casos queridinhos de vestibular.

Exemplo:

  • Ela é uma das alunas que mais se dedicam ao estudo.

Quem se dedica? “as alunas”. O verbo fica no plural.

Se a ideia for destacar apenas o indivíduo, pode-se construir:

  • Ela é uma das alunas que mais se dedica ao estudo.

Há discussão entre gramáticos, mas, em geral, as provas privilegiam a forma em que o verbo concorda com o termo plural “alunas”. Fique atento às orientações da banca; em muitas, a forma plural é a preferida.


Exercícios estilo vestibular (Concordância Verbal)

Questão 1

Leia a frase:

“A falta de planejamento e de investimentos em infraestrutura tecnológica prejudica o desenvolvimento do país.”

Se, em vez de “falta de planejamento e de investimentos”, tivermos “falta de planejamento e falta de investimentos”, a forma verbal adequada será:

A) prejudica o desenvolvimento do país.
B) prejudicam o desenvolvimento do país.
C) prejudicava o desenvolvimento do país.
D) prejudicaram o desenvolvimento do país.
E) prejudicaria o desenvolvimento do país.


Questão 2

Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma culta.

A) Haviam muitos estudantes na biblioteca naquele dia.
B) Fazem três anos que a escola implementou o novo projeto pedagógico.
C) Vende-se apartamentos de alto padrão no centro da cidade.
D) Precisam-se de voluntários para o projeto de leitura.
E) Alugam-se salas comerciais para escritórios.


Questão 3

Analise o período abaixo:

“Foram divulgados os resultados da pesquisa, que mostrou um aumento no número de leitores jovens.”

Para que o verbo sublinhado esteja corretamente concordando com o termo ao qual o pronome relativo “que” se refere, é necessário reescrever a frase. A alternativa que apresenta a forma adequada é:

A) Foram divulgados os resultados da pesquisa, que mostrou um aumento… (mantém)
B) Foi divulgado o resultado da pesquisa, que mostraram um aumento…
C) Foram divulgados os resultados da pesquisa, que mostraram um aumento…
D) Foram divulgados o resultado da pesquisa, que mostrou um aumento…
E) Foram divulgadas as pesquisas, que mostrou um aumento…


Questão 4

Assinale a opção em que a frase está de acordo com a norma padrão quanto à concordância verbal.

A) Trinta por cento dos entrevistados discorda da proposta apresentada.
B) A maioria dos alunos preferem estudar à noite.
C) Grande parte dos cidadãos reconhece a importância da educação básica.
D) Metade dos livros foi devolvida com atraso.
E) Um grupo de manifestantes invadiram a praça central.


Questão 5

Observe as frases:

I. “São dez anos que a instituição desenvolve projetos sociais.”
II. “Fazem dez anos que a instituição desenvolve projetos sociais.”
III. “Há dez anos que a instituição desenvolve projetos sociais.”

Quanto à concordância verbal, está(ão) correta(s):

A) apenas I
B) apenas II
C) apenas III
D) apenas I e III
E) I, II e III


Gabarito comentado

Questão 1 – alternativa B

Na versão “falta de planejamento e falta de investimentos”, temos um sujeito composto com dois núcleos: “falta de planejamento” e “falta de investimentos”. Com “e” ligando núcleos diferentes, o verbo vai para o plural:

  • A falta de planejamento e falta de investimentos prejudicam o desenvolvimento do país.

Logo, alternativa B.


Questão 2 – alternativa E

Vamos analisar:

A) “Haviam muitos estudantes…” – errado: verbo “haver” com sentido de existir é impessoal, deve ficar no singular: “Havia muitos estudantes…”.

B) “Fazem três anos…” – errado: “fazer” indicando tempo decorrido também é impessoal“Faz três anos…”.

C) “Vende-se apartamentos…” – se há “apartamentos” no plural e “se” é partícula apassivadora, o verbo deveria ir para o plural: “VendEM-se apartamentos…”.

D) “Precisam-se de voluntários…” – verbo transitivo indireto + “se” → índice de indeterminação do sujeito, logo verbo no singular: “Precisa-se de voluntários…”.

E) “Alugam-se salas comerciais para escritórios.” – verbo transitivo direto + “se” como partícula apassivadora, sujeito paciente “salas comerciais” (plural) → verbo no plural. Correta.


Questão 3 – alternativa C

Na frase original, temos:

“Foram divulgados os resultados da pesquisa, que mostrou um aumento…”

O pronome relativo “que” se refere a “resultados” (plural). Portanto, o verbo relativo deve ficar no plural: “que mostraram um aumento…”.

A reescrita correta é a alternativa C:

Foram divulgados os resultados da pesquisa, que mostraram um aumento no número de leitores jovens.

As demais alternativas criam problemas de concordância com “resultados”, “resultado” ou “pesquisas”.


Questão 4 – alternativa C

A) “Trinta por cento dos entrevistados discorda” – o mais natural é concordar com o substantivo plural “entrevistados”: “discordam”.

B) “A maioria dos alunos preferem” – foco no coletivo “maioria”; a forma mais cobrada é “prefere”.

C) “Grande parte dos cidadãos reconhece…” – concorda com o coletivo “grande parte” (singular). Correta. (Também se encontra em alguns contextos “reconhecem”, mas, em provas, a forma no singular costuma ser a padrão.)

D) “Metade dos livros foi devolvida com atraso.” – aqui, o mais comum é o verbo concordar com o núcleo plural “livros”: “foram devolvidos”.

E) “Um grupo de manifestantes invadiram…” – concordância adequada seria com “grupo” (singular): “invadiu”.


Questão 5 – alternativa C

  • Frase I: “São dez anos que…” – a gramática tradicional prefere “Faz dez anos…” ou “Há dez anos…”. A concordância de “ser” com “dez anos” aqui é muito discutida, mas, em provas, costuma ser evitada/considerada inadequada nesse uso de tempo decorrido.
  • Frase II: “Fazem dez anos…” – errada: “fazer” indicando tempo é impessoal, deve ficar no singular: “Faz dez anos…”.
  • Frase III: “Há dez anos que…” – correta: “haver” no sentido de existir/tempo decorrido, verbo impessoal no singular.

Logo, apenas a frase III está de acordo com a norma padrão cobradas em vestibulares → alternativa C.


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